“A Guerra da Arte” de Steven Pressfield – A Bíblia da Disciplina

Estou incrivelmente grato por ter “A Guerra da Arte” para me acompanhar durante o resto da minha vida…

Não que seja muito importante mas, para que conste, comprei-o depois de Joe Rogan, o stand-up comic e comentador do UFC, o ter recomendado no seu podcast em mais do que uma ocasião.

Não me lembro exatamente quais foram as palavras que ele usou para despertar o meu interesse…

Mas recordo-me claramente da forma como ele destacava este livro como uma das peças mais importantes para a construção da sua carreira profissional, e o impacto que ele teve no seu processo criativo enquanto escritor.

Seja como for, e apesar de a primeira leitura ter tido um impacto enorme sobre mim, a verdadeira magia dos ensinamentos de Steven Pressfield só são colhidos quando são aplicados no dia-a-dia.

E para o empreendedor, seja em que esfera de atividade for, há MUITO valor para ser retirado deste livro.

Não existem superlativos que cheguem para eu sublinhar a minha recomendação, que estendo a quem tiver a ambição de ser escritor, atleta, ator, etc, etc, etc.

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Sobre o autor de “A Guerra da Arte”

Steven Pressfield é mais conhecido pelos seus romances.

“A lenda de Bagger Vance”, filme protagonizado por Will Smith, foi adaptado para o cinema a partir de um dos seus livros.

A sucesso da sua carreira foi construído em cima de inúmeros fracassos, derrotas pessoais e tempo desperdiçado, momentos sobre os quais Steven Pressfield fala abertamente em “A Guerra da Arte”.

Steven Pressfield

Sobre “A Guerra da Arte”

A natureza e o valor do conhecimento que este livro oferece é, ao mesmo tempo, demasiado simples e demasiado complexo para explicar.

Ele é composto por capítulos muito, muito breves, que por vezes ocupam metade de uma página.

Dum ponto de vista mais macro, ele é escrito em três partes:

  • Resistência – Identificar o inimigo
  • Combater a Resistência – Transformar-se num profissional
  • Além da Resistência – A esfera superior

Nota: Eu tenho a versão Inglesa, portanto estou a traduzir o melhor que consigo.

Existem alguns conceitos no livro que, pela sua importância, merecem algumas linhas nesta review.

Resistência

De acordo com a visão de Steven Pressfield, a Resistência é o que nos distrai do nosso trabalho e impede que alcancemos o nossos objetivos.

Na primeira parte do livro o leitor aprende sobre a natureza da Resistência, e a identificar a sua presença e os seus efeitos…

Steven Pressfield descreve-a como um mecanismo biológico que vive dentro de nós.

O seu objetivo é destruir qualquer possibilidade de um dia concretizarmos o nosso verdadeiro potencial, e realizarmos o trabalho que dá verdadeiro significado à nossa vida.

Por outro lado, sabemos que determinado trabalho é importante e dá significado à nossa vida quando sentimos a presença da Resistência.

É bastante fácil perceber este conceito e recordar uma altura das nossa vidas em que fomos derrotados pela Resistência, certo?

Na primeira parte de “A Guerra da Arte”, Steven Pressfield oferece ferramentas para aguçar a nossa sensibilidade e capacidade de identificar a Resistência.

Ela é tratada como um inimigo mortal…

Apenas um pode sobreviver – ela ou o nosso trabalho.

O profissional

A segunda parte do livro serve para dotar o leitor de ferramentas que lhe permitam combater a Resistência.

Para a enfrentar é preciso adoptar a postura de um profissional.

Steven Pressfield descreve esta postura ao longo de várias páginas, mas existe um paralelismo que ele retira do quotidiano das nossas vidas que, na minha opinião, vale a pena parafrasear.

Todos nós somos profissionais numa área das nossas vidas: os nossos empregos.

a) Nós trabalhamos todos os dias.
b) Nós trabalhamos aconteça o que acontecer.
c) Nós trabalhamos até ao fim.
d) Nós sabemos que o trabalho faz parte do nosso futuro.
e) Nós sabemos que a nossa sobrevivência depente do nosso trabalho.
f) Nós aceitamos uma remuneração a troco no nosso trabalho.
g) Nós sabemos que somos muito mais do que o nosso trabalho.
h) Nós aprendemos a dominar a parte técnica do nosso trabalho.
i) Nós não levamos o nosso trabalho demasiado a sério.
j) Nós aceitamos elogios ou criticas em relação ao nosso trabalho.

Steven Pressfield continua e descreve aquilo que fazem as pessoas que não são profissionais, exatamente o contrário…

As palavras desta página, para mim, têm um poder incrível e são ao mesmo tempo, como normalmente é o caso, incrivelmente simples.

Se queremos alcançar os nossos objetivos e concluir o nosso trabalho, a nossa viagem será muito mais simples, rápida, e menos dolorosa se aprendermos a ser profissionais.

A Musa

Esta terceira parte tem uma dose de esoterismo que, dependendo do palato de cada um, poderá ser demasiado elevada.

O que tenho reparado é que, a cada leitura, à medida que aplico na minha vida e no meu trabalho a sabedoria das duas primeiras partes do livro, esta terceira faz cada vez mais sentido.

Steven Pressfield descreve a Musa como anjos, ou uma consciência superior, ou terceira dimensão, ou qualquer outra analogia com que o leitor se sinta mais confortável.

A Musa é o oposto da Resistência.

Quando nos sentamos para fazer o nosso trabalho, derrotamos a Resistência, e nos tornamos meros veículos da nossa profissão, a Musa aparece e começa a conspirar a nosso favor.

O valor de “A Guerra da Arte” para o empreendedor

Espero ter feito justiça a este livro…

“A Bíblia da Disciplina” parece-me uma descrição justa.

“A Guerra da Arte” é talvez não para os que procuram disciplina, mas para os que a evitam, negligenciam, ignoram, esquecem, etc.

O livro não é feito de pequenas receitas para cozinhar a motivação dentro do leitor.

O título, claro, é uma referência ao livro “A Arte da Guerra”, livro de estratégia militar escrito pelo general Chinês Sun Tzu.

E é assim que ele é escrito.

Ele é sobre um inimigo – a resistência – e sobre a estratégia através da qual ele pode ser derrotado – ser profissional.

Ele é para ser lido e relido nas trincheiras, enquanto o leitor avança no campo de batalha, milímetro a milímetro na guerra do seu trabalho.

7 comentários em ““A Guerra da Arte” de Steven Pressfield – A Bíblia da Disciplina”

  1. Esse livro é fantástico!!! Mudou minha vida. Já era muito disciplinada, mas ele deu um nome para meu inimigo e agora eu não combato só a preguiça, o excesso de racionalização, etc, combato a resistência e sempre que chego ao final do dia vitoriosa eu me sinto orgulhosa.

    Acordo de manhã e já falo para ela assim que o celular desperta: hoje você não me vence!

    Parabéns por compartilhar essa obra. Que muitas pessoas possam ler.

    E tem uma palestra fantástica dela, vou deixar o link: https://youtu.be/Vnc0TX6Vias

    Abraços!

    • Obrigado, Mara!

      Se conseguirmos absorver 1% da disciplina do Steven Pressfield o livro já valeu a pena 🙂
      Obrigado por partilhar a palestra.

  2. Boa tarde,
    Vivo em Lisboa e estou interessada em adquirir o livro.
    Pode dizer-me como fazê-lo de uma forma segura, uma vez que suponho que esteja esgotado nas livrarias ?
    Muito Obrigada,
    Helena

    • Olá, Helena

      Parece estar esgotado na Fnac…
      Pode encomendar na Amazon mas é a versão em Inglês.
      Até pode mandar vir um usado. Fui o que eu fiz, veio impecável e custou menos de €5 na altura.

      Obrigado pelo comentário 🙂

  3. A última parte do livro assusta os mais céticos pela abstração e esoterismo, concordo. Mas um verdadeiros artista consegue tirar boas lições de lá e compreender que, na verdade, as forças ocultas são biológicas e factuais. Artistas como Pressfield e nós que lemos ele não sabem explicar as coisas cientificamente – nem precisam. Nós criamos – somos mestres nisso – boas histórias para comunicar o mesmo fato. Explicações fantásticas, que, no fundo, tem seu valor e sua lógica dentro do universo. Acho esse livro sensacional. Li em uma sentada enquanto estava no Soopping. Todo aspirante a artista ou empreendedor deveria lê-lo. Na verdade, toda a humanidade deveria.

    • Estou 100% consigo nos elogios ao livro, Matheus.
      E a fé tem um papel muito importante na construção de negócios.

      Obrigado pelo comentário 🙂

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